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O que é manter-se saudável?

Postado em 25 de fevereiro de 2012 às 11:35

Até bem pouco tempo, a maioria das pessoas tinha somente a preocupação de cuidar do lado estético do corpo, seguindo padrões de beleza determinados pela mídia e pela sociedade. Aqueles que não se enquadravam nos padrões, para não se sentirem rejeitados e mais confortáveis socialmente, seguiam a qualquer custo rotinas de exercícios e dietas, colocando em risco a própria saúde. Logo, um programa de Fitness, por muito tempo, englobava exercícios físicos que supervalorizassem os aspectos estéticos, contendo esforços desmedidos para se alcançar uma bela forma física. Tudo na vida tem um preço e esta pregação de conceitos deturpados e de atitudes inconseqüentes, muitas vezes estimuladas por profissionais irresponsáveis, deixou-nos um belo saldo negativo: desequilíbrio orgânico a nível físico, mental e espiritual. 

Hoje, o termo Fitness, que quer dizer aptidão física ou, mais precisamente, aptidão do organismo, estará incompleto se não estiver associado ao bem-estar, Wellness. Na expressão Fitness, surgida na década de 70, seu conceito estava relacionado às capacidades física, cognitiva, emocional, moral, espiritual entre outras. Entretanto, a maneira como o corpo vem sendo cultuado pela sociedade, deixa de lado a existência da sua parceria com a mente, permitindo que o verdadeiro conceito de Fitness ficasse deturpado. A Ciência em prol da saúde, diante de tal constatação, tem contribuído muito para que os conceitos de saúde e corpo sejam reformulados. É sabido, hoje, por meio de muitas investigações, do Princípio da Simultaneidade. Segundo Olavo Feijó (1), na obra Corpo e Movimento, este princípio está baseado na Teoria do Contínuo Energético Bipolar. Esta teoria é fundamentada no contínuo energético por considerar que os pólos, corpo e mente, fundem-se em um único corpo energético da mesma natureza, ou seja, o ser humano.        Dessa forma, colocar o corpo submisso à mente e vice-versa é dicotomizar o ser humano, pois estes dois elementos que formam o ser humano - corpo e mente, funcionam e reagem simultaneamente. Esta teoria vem explicar as reações que o ser humano sofre quando não se leva em consideração o corpo e a mente como partes vivas do organismo. 

 Para muitos o termo saúde ainda significa simplesmente "a ausência de doença" e um grande número de pessoas que não apresentam sinais de doenças ou enfermidades consideram-se sadios. 

Ser sadio não é simplesmente ter um corpo sem doenças, bem torneado e magro, é sim, uma combinação do sentir-se bem consigo mesmo e com aquilo que faz. A palavra saúde deveria estar associada ao corpo e à mente, simultaneamente, como o termo Wellness que significa o bem-estar, ao invés de ser associada à ausência de doença. Hoje, saúde não é uma questão de chances, é uma questão de escolha. Ser uma pessoa saudável é tornar-se responsável pela sua saúde. Exercitando-se regularmente e praticando consistentemente outros hábitos positivos com relação ao estilo de vida, os benefícios virão com certeza: saúde melhor, menor risco com relação às doenças, inabilidade físicas e morte prematura, assim como, os tão almejados resultados estéticos. 
O que seria um programa de Wellness ? 
Wellness é um programa que favorece todos os campos do bem-estar físico, mental, emocional, intelectual, social e espiritual. O ser saudável requer um compromisso contínuo com o estilo de vida, uma grande vontade de mudar em busca da melhor qualidade de vida e da longevidade. 
Wellness é uma forma de prevenção e Educação da saúde em busca do bem-estar total. O Wellness envolve a melhora da saúde global, atividades físicas prazerosas, diminuição de peso, diminuição no consumo de gordura, alimentação adequada, lazer, diminuição do colesterol, diminuição do índice de suicídios, diminuição do consumo de álcool e drogas, melhora do sistema cardiovascular, redução do stress e melhora da auto-estima e, principalmente, a chance de redução dos efeitos do envelhecimento. Enfim, o conceito de Wellness vem justamente ao encontro da Teoria da Simultaneidade existente entre o corpo e a mente. 
Wellness engloba o Fitness. Então, o mais apropriado seria utilizarmos o termo Wellness e não, somente, Fitness?? O melhor não é a escolha da nomenclatura correta, mas a correta aplicação dos meios que nos levam a ter saúde, tendo a perfeita conscientização do que é saúde, trabalhando o organismo como um todo, envolvendo o corpo e a mente. Cabe aos Profissionais de Educação Física orientar as pessoas quanto ao melhor programa de Fitness que deve englobar o trabalho físico e mental. Muitos profissionais já entenderam estes conceitos, que não têm nada de novo, mas que estão sendo retomados. Aliando-se a outras áreas como nutrição, psicologia, fisiologia e medicina desportiva, estes profissionais estarão aptos a promover atividades físicas prazerosas, sem comprometer a saúde, mas principalmente, mantendo ou ganhando mais saúde.

Informando a sociedade para torná-la mais consciente, a preocupação com a parte estética deixa de ser uma obsessão sem limites para tornar-se um objetivo saudável. A atividade física, então, é encarada como o meio para se atingir uma composição corporal mais equilibrada (menos gordura e mais músculos) e melhorar a qualidade de vida. Dessa forma, a pessoa além de sentir-se melhor na aparência física, ganha saúde. Um alerta da Ciência aos profissionais que ainda não investem nesta filosofia: "o caminho do Fitness para o novo milênio é o Wellness". 

Prof. Daisy Pinheiro  - Matéria do 15º Congresso Mundial da IDEA, Orlando, Flórida;

Fonte: Site PhysioPilates

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Atitudes para trazer energia positiva!

Postado em 16 de fevereiro de 2012 às 11:48

Quer trazer mais equilíbrio e harmonia para sua vida? As atitudes a seguir ajudam a manter a vitalidade na medida certa. Confira:

Respire bem

A respiração é a forma de sentir os outros, a vida e o ambiente. Fisiologicamente, ela tem três momentos: inspiração, expiração e pausa, que quase não é percebida. A primeira estimula o organismo e a segunda expulsa as toxinas. A última etapa, que ocorre no pequeno espaço de tempo entre a expiração e a inspiração, é essencial para nós. "Essa parada é o que nos mantém vivos", explica Sandro Bosco, do Yoga Dham, de São Paulo. Ioga, pilates, Tai chi chuane meditação ajudam na respiração equilibrada.

 Mexa o corpo

 Você subiu um lance de escadas e ao chegar lá em cima achou que o coração ia sair pela boca ou se sentiu levemente cansada? Se optou pela primeira opção, fique atenta. Seu condicionamento físico está lá embaixo e seu nível energético idem. Um bom jeito de sair desse estado "devagar quase parando" é praticar exercícios. "Mexer o corpo traz benefícios em todos os aspectos", explica Fábio Bernardo, fisiologista do exercício, de São Paulo. "Tonifica os músculos, protege a saúde e, acima de tudo, dá mais disposição e energia."

Porém, um dos segredos para usufruir seus benefícios é procurar uma atividade que você realmente goste. Pode ser vôlei, boxe, basquete, handebol, futebol, tênis, dança, caminhada, corrida, ioga, pilates, natação... Segundo Fábio, a prática tem que ser prazerosa e sem dor, e não uma pedra no caminho. Do contrário, você desiste logo na primeira semana.

Alimente o cérebro

Hoje já está mais do que comprovado que o cérebro emana ondas de energia positiva para o resto do corpo quando fazemos uma pausa para ler um livro, ir ao cinema, à praia ou simplesmente não fazer nada. O mesmo princípio vale para os pensamentos alto-astral. "Se você é uma pessoa alegre, risonha e bem-humorada, envia para o seu cérebro uma mensagem de felicidade", fala a fonoaudióloga paulista Ana Alvarez, autora do livro Deu Branco, um Guia para Desenvolver o Potencial de Sua Memória (editora Record). "Em contrapartida, ele banha você com a mesma energia".

Curtir a vida e seus pequenos prazeres não é privilégio, é fundamental. Enquanto isso não acontece, siga as dicas de Ana Alvarez:

1. Escreva em um papel ou repita para você mesma três coisas boas que aconteceram no seu dia. Faça isso de segunda a sexta! "Um estudo feito com pessoas deprimidas, que aplicou esse método, chegou à conclusão de que elas ficam mais positivas e bem-humoradas após algumas semanas", diz Ana.

2. Quando você estiver em crise com você mesma, procure algo que a acalme e dá prazer. Se você sabe que fica tranquila na praia, vá até lá. Caso não seja possível, imagine que você está lá ou coloque no seu protetor de tela do computador ou celular uma foto do mar. Pode ser também um cheiro. Se for a alfazema que deixa você purificada, então tenha sempre uma almofadinha para cheirar com a fragrância.

 

(...)

 

Fonte e Imagem: Site Revista Bons Fluidos

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Pilates: corpo malhado sem musculação!

Postado em 10 de fevereiro de 2012 às 13:25

De uma barriga mais definida ao autocontrole, passando por músculos firmes, fortes e alongados, ótima postura, articulações mais saudáveis, melhor capacidade de respiração e maior tolerância ao stress. Ufa! Não é à toa que o pilates conquista novas adeptas a cada dia.

Movimentos elegantes

Respire e solte todo o ar, sentindo seu abdômen encolher ao máximo — como se o umbigo fosse colar nas costas — e as costelas fechando em direção ao centro. Sua barriga fica retinha, a cintura afina. Pena que dure só até a próxima respiração! Você pode, porém, preservar esse momento mágico para sempre ao praticar o pilates, um método de condicionamento físico criado na Alemanha na década de 20. Seja nos aparelhos inventados por Joseph Pilates — estruturas de madeira e metal, com molas e tiras de couro — como nos movimentos feitos no chão — técnica conhecida por mat pilates —, os músculos são trabalhados duplamente, ou seja, são tonificados e alongados ao mesmo tempo, mas dentro do limite de cada praticante. 

“Os corpos treinados pelo método são fortes, alongados, flexíveis e saudáveis. A postura melhora muito e os movimentos se tornam elegantes”, garante Alice Becker, instrutora e proprietária do Physio Pilates, estúdio em Salvador (BA). “Lembro de uma ex-aluna que dizia que tinha a sensação de estar percorrendo um salão de baile com roupas fluidas, ainda que estivesse atravessando a faixa de pedestre”, conta Alice. 

Para quem não gosta do ambiente agitado das academias, pilates é ideal, pois permite um corpo malhado sem puxar ferro. Esse é o caso de Tatiana Tiepolo, que pratica no estúdio Physio Sport Pilates, em São Paulo (SP). “Além de músculos mais firmes e bem desenhados, melhorei a postura”, diz ela.

Silhueta nova em três meses

O relato de Tatiana poderia ser multiplicado por 1200, número de alunos de Teresa Camarão, proprietária de dez estúdios no Rio de Janeiro, cinco deles abertos no ano passado. “A técnica dá resultados rápidos e duradouros, por isso está despertando tanto interesse”, diz Teresa. Segundo ela, em dez seções já dá para sentir diferença na flexibilidade. Em três meses, os músculos estão mais definidos e o condicionamento físico tem uma melhora significativa. “A mulher passa a conhecer seu corpo. Percebe seus limites, mas consegue vencê-los, desenvolvendo o autocontrole”, conta. 

Tanto em aparelhos como no solo, o pilates é uma ginástica livre de impacto e que respeita a individualidade. “Os aparelhos servem para posicionar as alunas iniciantes e, ao mesmo tempo, para desafiar as experientes. Em grau avançado, por exemplo, a ginástica pode ser feita em um trapézio acoplado a um dos aparelhos”, diz Vany Giannini, fisioterapeuta e sócia-proprietária do Physio Sport Pilates. No solo, os exercícios exigem ainda mais da praticante, que tem de controlar sozinha o seu corpo. “O trabalho, porém, também pode ser facilitado com o uso de equipamentos como bolas e elásticos”, fala Sandra Tófoli, professora de pilates da academia Fórmula, de São Paulo. 

Por dar ênfase à correção postural e ao bom alinhamento das articulações, o método é indicado também para o tratamento de lesões na coluna, joelhos e ombros, entre outras. Ana Paula Browne rompeu os ligamentos dos joelhos ao acidentar-se na Austrália. De volta ao Brasil, passou a se tratar com uma fisioterapeuta especializada na técnica. “Para minha surpresa, não tive que operar os joelhos”, relata Ana Paula, que é aluna do Centro de Ginástica Postural Angélica (CGPA), em São Paulo.

Abdômen forte comanda o corpo

A base do método é o centro de força, composto principalmente pelos músculos do abdômen, região lombar, quadris e glúteos. O centro de força permanece contraído, dando sustentação para movimentação solta, fluida, das pernas e braços. “Temos que controlar o centro de força durante toda a aula, pois é ele que mantém estável a coluna vertebral, evitando lesões”, explica Alexandre Von Ajs, coordenador de pilates da Velox e professor da Estação do Corpo, academias no Rio de Janeiro (RJ). 

“Para fazer os movimentos, a aluna tem que estar atenta, concentrada. Por isso, dizemos que a mente também está presente na ginástica”, diz Cristina Abrami, instrutora e sócia-proprietária do CGPA. “Com o treinamento, o cérebro registra as informações e a postura exigida para os exercícios é assimilada automaticamente no dia-a-dia. A barriga fica lisinha e a cintura afinada para o resto da vida”, garante a professora, lembrando também que o posicionamento correto da coluna protege de lesões e dores. Mulheres que já malham estão procurando o método para trabalhar o abdômen, como é caso de Valeska Praxedes, atriz e modelo paulistana de 29 anos que tem aulas de mat pilates na Fórmula. “Fiquei impressionada, até minha cintura afinou”, conta. 

Prática mexe com as emoções 
Segundo Pilates, que estudou técnicas orientais como a ioga para desenvolver seu método, o centro de força controla não só os movimentos do corpo como as emoções. “A adepta fica mais centrada, nos dois sentidos, físico e mental”, diz Cristina Abrami. Outro fator que interfere no bem-estar é o controle da respiração, fundamental para manter a postura durante os exercícios. “A respiração adequada também ajuda a combater o stress, pois acalma a mente e controla a agitação”, fala Vany Giannini. “Fiquei mais tranqüila e equilibrada, não me irrito com qualquer coisa”, confirma Luciana Fortes, 28 anos, funcionária pública que treina no Physio Sport Pilates, em São Paulo.

(...) Matéria completa Revista Boa Forma.

 

Fonte: Site Revista Boa Forma                             Imagem: Internet.

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A ansiedade das escolhas!

Postado em 03 de fevereiro de 2012 às 17:15

"OK, então vamos esperar por sua escolha até amanhã de manhã. Pense bem antes de decidir."

A frase soou como uma ameaça. Eu tinha que decidir e não podia negar essa responsabilidade, já que corria o risco de perder tudo. Mas a escolha não era simples, pois, no fundo eu queria os dois. Um representava a liberdade, a aventura, a alegria de viver. O outro significava a sabedoria, o conhecimento, o futuro. Como escolher entre dois conjuntos de valores tão importantes? Como optar por um e abrir mão do outro que eu também queria tanto? Por que o destino estava fazendo isso comigo? Ó mundo cruel...

Mas não teve jeito, pois eu sabia que, se demorasse para decidir, ou não mostrasse firmeza em minha conclusão, não seria considerado maduro o suficiente para merecer nenhum dos dois. Acabaria tendo que me contentar com algum prêmio de consolação, e isso seria a pior coisa que poderia me acontecer naquela fase da vida. Então, armado de uma convicção artificial, comuniquei minha decisão:

- Então está bem, fico com a bicicleta! - e abri mão da enciclopédia.

Estávamos em véspera de Natal e eu tinha 11 anos. O que aconteceu naquela oportunidade foi uma espécie de iniciação à vida, que nada mais é que uma sucessão de escolhas. Parece que a única escolha que não fizemos foi a de nascer, porque daí para a frente, passada a primeira infância, começa nossa preparação para sermos responsáveis. Tem início o desenvolvimento de algo chamado "consciência", que, em última análise, é a autonomia para cuidar do destino, escolhendo os caminhos da vida. Amadurecer, descobri, é assumir a responsabilidade por suas escolhas.

Eu queria muito aquela bicicleta. Qual é o garoto que não quer? Desejava sair por aí, com os colegas ou mesmo sozinho, deslocando-me com rapidez, sentindo o vento, conhecendo outros bairros da cidade. Mas também estava de olho na tal enciclopédia, que, para mim, era uma espécie de passaporte para o conhecimento. Com a bicicleta, poderia passear pela cidade - pensava -, e com a enciclopédia, poderia viajar pelo mundo.

Prevaleceu a liberdade do vento, não a das letras, como seria de esperar de alguém que mal encerrava a primeira década de vida. E aquela bicicleta me deu muita alegria, acredite. Nunca me arrependi da escolha, até porque mais tarde, em outro Natal, a enciclopédia veio, ainda que não tenha vindo o aparelho de som - outra escolha/troca.

A tirania do"ou"

Um dos personagens mais explorados pela literatura alemã é o de um homem que fez uma escolha perigosa: Fausto. Ele foi inspirado em uma pessoa real, o médico Johannes Georg Faust, que viveu entre 1480 e 1540 e que era também estudioso de alquimia e magia. Sempre insatisfeito com o conhecimento disponível, ansioso por saber mais, acabou por dar origem a Fausto, que teve inúmeras interpretações na literatura germânica, sendo que a que predomina é a do mais importante escritor alemão, Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832).

A primeira parte da versão de Goethe foi publicada em 1806 e conta que Fausto, querendo superar os conhecimentos disponíveis na época, ambicioso pelo saber, acabou fazendo um pacto com um demônio, Mefistófeles. Durante 24 anos ele não envelheceria, experimentaria todos os prazeres e teria acesso a conhecimentos novos. Tudo isso em troca de sua alma, que passaria a ser posse do maléfico pela eternidade.
Fausto aceita, pois seu desejo de saber é superior a tudo. O que ele não contava é que se apaixonaria por Margarida e, ao se ver perto de seu prazo, vê-se também obrigado a abandoná-la. O mito fáustico, em todas as versões, joga com a ideia da perda como subproduto da escolha. E essa perda pode ser desesperante, como no caso do personagem, ou pode ser, em sua versão mais humana, no mínimo, a causa de grandes ansiedades.

A ansiedade é, sim, um dos males da modernidade. Não há pessoa que não relate que é acometida, eventualmente, por uma "crise de ansiedade", caracterizada pela sensação de dúvida, incerteza, desconforto. A pessoa ansiosa gostaria de não estar onde está, ou pelo menos gostaria de não estar vivendo a situação que lhe causa ansiedade - mas, por outro lado, sabe que não tem como evitar. Todos somos ansiosos, em graus maiores ou menores.

E a causa mais comum de geração de ansiedade atualmente é, como vimos, a necessidade de fazermos escolhas. Sim, pois a cada escolha você tem que sofrer com as renúncias que ela acarreta. Essa é a tragédia da escolha. O imperativo do "ou". Ou isto ou aquilo, os dois não dá, explica a vida - e a gente aceita com resignação.

Escolher é trocar

A língua inglesa tem uma expressão que define bem a ansiedade da escolha: trade-off. Sem tradução literal, trade-off significa escolha, mas também quer dizer troca. Em síntese, escolher significa trocar uma coisa por outra. Ao escolher a bicicleta, abri mão da enciclopédia. Foi uma troca e, convenhamos, a melhor que podia ter feito naquela ocasião. No ano seguinte, troquei um aparelho de som novinho pela coleção de livros que esperei por um ano. E por aí vai.

Trade-off é uma expressão muito usada nas empresas, e faz parte do planejamento estratégico. Os empresários e executivos sabem que sempre há um preço a pagar. Por resultados, terão que fazer investimentos. Se buscarem inovação, terão que admitir alguns erros. Se optarem por economizar, terão que reduzir os investimentos. Na economia do país, se a opção for pelo controle da inflação, sabe-se que a taxa de crescimento será menor. "Não há almoço grátis", dizem os economistas. Trata-se de um postulado da economia que lança mão da obviedade que não dá para, ao mesmo tempo, comer a refeição e ficar com o dinheiro.

Um dos melhores exemplos de trade-off estratégico é encontrado não na economia, mas no jogo de xadrez - e, nesse caso, pode receber o nome de gambito, que não é, portanto, apenas o codinome das pernas finas.

Nesse jogo, gambito é o sacrifício de uma peça em troca de alguma vantagem, que pode ser outra peça ou espaço, desguarnecimento do adversário, linhas diagonais ou simplesmente tempo. O outro jogador pode aceitar ou refutar a oferta, pois sabe que há uma intenção por trás, uma espécie de jogada oculta. O Gambito do Rei é uma jogada em que o jogador de peças brancas oferece um peão logo no início do jogo e, aparentemente, desprotege o rei, mas, na prática, obtém uma liberdade de ações bem maior a partir disso, ganhando o domínio que vem da iniciativa. Tanto essa jogada quanto o Gambito da Dama são estratégias de quem sabe jogar e não de iniciantes sem técnica nem equilíbrio emocional.

Na vida também é assim, mas é claro que há variações importantes. Todos os dias fazemos escolhas soft, cujos enganos não provocarão maiores consequências. Se você errar no prato no restaurante ou no filme na locadora, ou se escolher uma roupa leve num dia em que faz frio, tudo bem, a encrenca não é tão grande assim. O complicado é errar nas escolhas hard, como a profissão, os investimentos ou a pessoa com quem se casar e compartilhar a vida. Felizmente, fazemos mais escolhas soft do que hard neste passeio pela vida.

A possibilidade do "e"

Mas nem tudo está perdido. Disse Einstein que nós não podemos resolver um problema usando o mesmo estado mental que o criou. É necessário buscar novas possibilidades, aceitar a existência de caminhos não vistos no primeiro olhar. E, nessa busca, sempre podemos contar com a possibilidade do "e" em vez do "ou". A inclusão como alternativa à exclusão.

Nem sempre dá, mas não podemos descartar essa possibilidade, e até contar com ela. Aliás, há situações em que essa é a única saída. Voltando a falar dos economistas e dos pensadores no futuro da sociedade humana, há um tema que gera muita polêmica. Trata-se da disputa entre crescimento da economia e a sustentabilidade do planeta.

Os que pregam o crescimento econômico são acusados pelos ambientalistas de não se preocuparem com a sustentabilidade do planeta, e estes são chamados por aqueles de patrocinadores do atraso. Durma-se com um barulho desses. Felizmente existem cérebros atuantes, cientistas, estadistas, pensadores que afirmam ser possível promover desenvolvimento protegendo a natureza. Desenvolvimento com sustentabilidade. Geração de riqueza e preservação do meio ambiente.

Para isso, claro, temos que falar de coisas novas, como reflorestamento, reciclagem, eficiência, novos materiais, pesquisa pura e aplicada, consumo consciente. Novos modelos mentais. Como se vê, fazer a opção pelo "e" requer investimento, tempo e inteligência. É mais fácil escolher um, ignorar o outro e tentar dormir tranquilo.

A inclusão é a solução ideal, quando possível. Senão, é necessário escolher e arcar com todas as consequências que fazem parte do pacote. O direito de escolher é atributo do mundo livre, o que é muito bom, claro. Nos países totalitários, em que ditadores comandam tudo com mão de ferro, a população não tem que fazer muitas escolhas, porque o estado faz por elas.

Viver com liberdade aumenta a responsabilidade e a ansiedade, mas viver sem ela aumenta o sentimento de impotência e o resultado pode ser a tristeza e a depressão. Sinceramente, se esse é o preço, fico com a ansiedade. E viva a liberdade de escolha.

* Eugenio Mussak não se arrepende de ter optado pela bicicleta e não pela enciclopédia

 

Fonte: Site Revista Vida Simples                                       Imagem: Internet

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